sexta-feira, 10 de abril de 2009

CRISE? OUSADIA RESOLVE

Um lojista de Poço Fundo, preocupado com a "crise" que "assola" o Brasil (as aspas são uma boa indicação do que eu penso sobre isso), me perguntou o que eu achava sobre os problemas que tomaram conta do mundo.
Quando lhe disse que não me preocupava, e que o que viviamos na verdade era uma crise de falta de criatividade, ele a principio se mostrou ofendido. "Estou tendo prejuízo e terei até que mandar gente embora (um empregado pode morrer de fome, mas o patrão tem que manter o caviar, não é?), e você diz que isso é apenas falta de criatividade?
Para não entrar no mérito da questão, resolvi lhe contar um metáfora conhecida há muitos anos por quem trabalha com PNL.

"Um filósofo passeava por um bosque com o seu discípulo. O tema da conversa, naquela tarde, era sobre os encontros com que deparamos na nossa vida. Ensinava o filósofo que um encontro é sempre uma surpresa que nos mostra o novo, e o encanto das coisas que não conhecemos; dos caminhos que podemos descobrir.
Um encontro é sempre uma oportunidade para aprender, para crescer e para ensinar.
Num determinado momento, passavam em frente de um portal de aparência miserável, que contrastava com uma propriedade bem situada num parque de rara beleza.
"Olha este lugar, comentou o discípulo: é mesmo como o mestre diz: muita gente está no paraíso, sem se dar conta disso. Num belo sítio como este, vive-se miseravelmente."
Mas o mestre explicou: "não podemos julgar à primeira vista: precisamos verificar as causas, pois só entendemos o mundo quando entendemos as causas que o fazem mover".
Bateram à porta e foram recebidos pelos moradores do casebre: um casal e três filhos, com as roupas sujas e rotas.
"Vocês vivem aqui no meio da floresta, não há nenhum comércio por aqui perto", - disse o mestre ao pai da família. "Como é que vocês conseguem viver?"
'meu amigo, respondeu o homem, - nós temos uma vaquinha, que nos dá uns litros de leite todos os dias. Vendemos uma parte do leite e compramos o que é necessário na cidade vizinha. Com uma outra parte fazemos queijo e manteiga para comermos. E assim vamos vivendo e Deus é servido."
O filósofo agradeceu a hospitalidade e a informação e os dois prosseguiram a sua viagem. Um pouco mais adiante, passaram ao lado de um poço. Diz o filósofo ao aluno:
"Vai procurar a vaca daquele senhor e jogue-a no poço."
"Como assim, se ele só tem aquela vaca para a sua sobrevivência?"
Mas o filósofo não deu resposta e o aluno lá foi procurar a vaca e jogou-a no poço.
O discípulo nunca mais esqueceu aquela cena. Passados muitos anos, quando já era um empresário de sucesso, o discípulo decidiu voltar ao mesmo lugar, confessar àquela família o que tinha feito, pedir-lhe perdão e ajudá-la financeiramente.
Mas qual não foi seu espanto ao ver aquele lugar transformado numa bela quinta, com árvores floridas, carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. O homem ficou ainda mais desesperado pensando que aquele humilde família tinha sido obrigada a vender a propriedade para sobreviver. Apressou o passo e foi recebido por um caseiro muito simpático.
"Para onde foi a família que aqui vivia há uns quinze anos?"
"Continua aqui, são eles os donos da quinta", foi a resposta.
Surpreendido, quis falar com o proprietário. Este logo o reconheceu e perguntou-lhe como estava o filósofo. Mas o discípulo estava ansioso por saber como é que ele tinha conseguido melhorar a quinta e mudar tudo.
"Bem, disse ele - nós tínhamos uma vaca com que nos sustentávamos. Acontece, porém, que ela caiu no poço e morreu. Então para manter a família, tive que plantar uma horta com legumes. As plantas levavam tempo para crescer e vi-me obrigado a cortar madeira para vender. Ao fazê-lo tive que replantar as plantas e precisei comprar sementes. Ao comprá-las, lembrei-me da roupa dos meus filhos e pensei que pudesse cultivar algodão. Passei um ano difícil; mas, quando a ceifa chegou, eu já estava vendendo legumes, algodão e ervas aromáticas. Nunca me tinha dado conta do potencial que tinha aqui.
Foi um sorte danada aquela vaca ter morrido!"


Não sei o que o meu amigo lojista apreendeu disso tudo, mesmo porque a história deve lhe render boas mudanças a partir do seu inconsciente (espero), mas depois que contei-lhe a metáfora simplesmente paguei a camisa que eu estava comprando e fui embora.
Espero sinceramente ter lhe ajudado.

Legrand
Livro: Códigos da Vida

"Minha querida alma, seja fonte de coragem e ousadia".

3 comentários:

  1. PQP! Isso é que é uma boa chacoalhada nos que escolhem ficar em suas próprias zonas de conforto

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  2. Esse filósofo e você, Antonio, deveriam dar palestras na empresa em que eu trabalho, rsrsrsrs

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  3. Gostei da parte em que você diz que a crise na verdade é de criatividade, mas digo também que é de falta de humildade. Como você mesmo afirma, é fácil mandar embora empregados que dependem do salário para sobreviver, só para não abrir mão do conforto que a rigueza oferece.
    A metáfora é magnífica!

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