sexta-feira, 24 de agosto de 2012

MAU HUMOR... OU DOENÇA?

Se você é daqueles que explodem por qualquer motivo (ou convive com pessoas assim), só pensam de maneira negativa e não conseguem se relacionar bem com quem quer que seja, por conta do mau humor, saiba: um problema psiquiátrico pode estar associado a este fato! O nome dado a este desequilibrio é DISTIMIA. Às vezes, é um problema isolado, um tipo de depressão crônica leve, mas em outras é sintoma de algum transtorno de personalidade.

Os problemas do dia-a-dia geralmente causam um desconforto em muitas pessoas, e a rotina estressante pode atingir o humor de qualquer um, principalmente de quem se abala com qualquer coisa. Porém, uma atenção especial deve ser dada às pessoas que, freqüentemente, ficam mal humoradas, porque o problema pode ser muito mais do que um simples distúrbio passageiro.

A distimia é uma doença causada por mau humor crônico e influencia não só a vida do paciente como também das pessoas que convivem com ele.

Segundo psiquiatras e psicólogos, uma das principais dificuldades em diagnosticar a doença é a similaridade dela com questões comuns de mau humor do dia-a-dia. Antônio Nardi, psicoterapeuta, fez uma comparação: "Quando algo nos incomoda, como um trânsito muito ruim ou alguém pisa no nosso pé, é natural ficar de mau humor. Esse é o que chamamos de mau humor ocasional. Mas quando estas alterações de humor são muito comuns, a doença pode estar se manifestando. O distímico fica irritado porque está chovendo ou porque está sol. Tudo é motivo para mau humor".

Uma característica comum do paciente com distimia é a irritação e preocupação excessiva até quando a situação é positiva. O doente consegue ver problema em casos aparentemente 100% benéficos, como ganhar na loteria. Segundo o especialista, caso isso aconteça com ele, será considerado normal que se essa pessoa se preocupe com os problemas que o dinheiro trará, ao invés de apenas comemorar o fato. "Os distímicos não apresentam apenas o mau humor, ele têm também tristeza, pessimismo, baixa auto-estima e falta de prazer na maioria das atividades".

Em geral, a distimia começa a aparecer na adolescência ou no adulto jovem e pode durar a vida toda, se não for tratada. Os sintomas que mais chamam a atenção, no seu início, são a irritação com qualquer coisa, o costume de ver problemas em tudo e o isolamento social. Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que 3% da população pode ser atingida pela doença e as mulheres são afetadas duas vezes mais do que os homens. Se a doença não for tratada (geralmente o tratamento dura dois anos), o paciente tem 70% de chance de desenvolver algum tipo de depressão.

As principais diferenças entre a distimia e a depressão propriamente dita são a relação social do paciente e alguns sintomas físicos desta última, como alteração de apetite, sono e energia. Enquanto a pessoa depressiva busca se isolar de qualquer atividade, o distímico continua realizando suas funções normais. A depressão comum dificulta o indivíduo de trabalhar, de ir a compromissos sociais e de praticar esportes. A distimia compromete a capacidade de prazer e satisfação destas atividades, mas o indivíduo não deixa de realizá-las.

Por isso é mais complicado que pessoas leigas notem a doença. Elas apenas percebem que há algo de errado, principalmente porque o problema começa a gerar um tremendo mal-estar no grupo em que a pessoa doente está inserida. Na verdade, nem o distímico e nem a sua família sabem distinguir o que é esse problema e o que é o indivíduo, segundo os psiquiatras.

Tem saída?

Claro que tem. Em primeiro lugar, se estes sintomas de mau humor são constantes, se você ou alguém próximo é daquele tipo que vive reclamando, que só encontra defeitos onde existem muitas qualidades, e problemas onde existem muitas soluções, procure (se for você) ou leve a pessoa a um psiquiatra, pois este profissional é o indicado para diagnosticar e tratar a doença.

Outra dica é “não entrar na pilha”, ou seja, não ficar doente junto com a pessoa, pois aí então é que as coisas se complicam: Se um mal-humorado já incomoda, imagine dois ou mais? Evite o confronto, busque se colocar à disposição para ajudar, mas não deixe de expressar suas preocupações com a saúde desta pessoa e indique-lhe os caminhos para obter acompanhamento profissional.

Se for preciso, principalmente se você for do tipo que “não leva desaforo para casa”, afaste-se de maneira estratégica. Não deixe que a atitude do distímico se torne a tônica do relacionamento, pois senão as coisas só tendem a piorar.

Acredite: Estas dicas me ajudaram muito na vida profissional e com muitos amigos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

TRANSTORNOS LIMITANTES: EU TAMBÉM TENHO!

Hoje venho me desculpar com vocês, amigos leitores e leitoras do "Palavra Mágica". Quero pedir desculpas por tanta demora em postar novidades neste blog.
Não se trata de falta de assunto, mesmo porque ainda há muita coisa legal para ser repassada, seja de aprendizados que já tive ou que ainda terei. Na verdade, a dificuldade está relacionada a um problema que tenho desde há muitos anos atrás e que, na verdade, é o principal motivo pelo qual entrei de cabeça no mundo do autoconhecimento e das terapias complementares: a mania de começar e ter dificuldades para terminar algo, tipica característica de pessoas que sofrem com o transtorno bipolar e o transtorno borderline, sendo mais forte ainda neste último (para saber mais sobre isto, clique aqui e veja um resumo sobre o assunto. Muita gente enfrenta esse problema mas nem imagina que o tem).
Cá entre nós, é um troço muito chato você viver com vários começos e quase nenhum (ou nenhum) fim. Quem me conhece sabe que quando entro em uma atividade ou quero dar inicio a alguma novidade, vou "para cima" com tudo, com total dedicação, sem medo das consequências e firme em meus propósitos. No entanto, basta a coisa começar a ferver para que tudo trave, e se não houver quem dê continuidade ou me motive a isto, a tendência é parar no meio do caminho. Neste período, pode apostar, já surgiram várias outras idéias novas, mas para serem iniciadas, e não dentro do que já está em andamento.
Sofri muito na infância por ter este e outros problemas. Sempre fui visto como um garoto com inteligência diferenciada, sem nenhuma modéstia, mas também como um menino inconstante, que dava o pontapé inicial em grandes novidades, mas que quase nunca "estava lá" quando os frutos eram colhidos, ou que parava tudo antes que eles brotassem.
Quando descobri que tinha em minha personalidade esta característica marcante (com diagnósticos feitos por uma psicóloga e um psiquiatra), as coisas melhoraram um bocado. Aprendi a lidar com esta dificuldade utilizando algumas técnicas que aprendi com estes profissionais e durante minha formação em PNL, e também a fazer do que era negativo algo um pouco mais prático: assumi este lado "criador", procurando sempre contar com uma boa equipe que desse continuidade ao que foi gerado.É uma boa alternativa, muito utilizada nas técnicas de criatividade e execução de projetos em grupo: Uma turma gera novas idéias, outra organiza, uma terceira critica, procura formas de melhorar as propostas e, enfim, uma quarta galera trata de pôr o que foi criado em prática.
Durante muito tempo, me senti muito bem em apenas "criar", deixando o restante para quem sabia "fazer". Muita gente ficou rica assim (como Steve Jobs, por exemplo), mas este não foi o meu caso, porque os lucros ou fama pelos resultados alcançados ficaram (merecidamente) com quem teve força de vontade para seguir em frente e executar as tarefas...rsrs...
Quando se trata de algo que deve ser feito apenas por mim, então a coisa fica um pouco mais difícil. Pra se ter uma idéia, tenho três livros por terminar há 18 anos (sendo que um deles está apenas nas primeiras vinte páginas há cinco), já criei tantos blogs que nem consigo gerenciar direito (a não ser os de noticias, porque estes envolvem factuais e cada texto é um novo começo), preciso acabar de ler oito apostilas e há pelo menos quatro avaliações de cursos ainda por responder, para receber meus certificados (acho até que um deles já teve o prazo vencido). Sem falar que ainda não passei da quinta lição do curso de inglês e não terminei uma seleção de músicas de minha autoria, que prometi separar para alguns amigos gravarem.
Além disso, já tô doido para mudar os projetos gráficos de vários trabalhos que faço ou dos quais participo, entre eles o do Jornal de Poço Fundo. O desejo de fazer mudanças assim, aliás, é uma forma legal de utilizar esta e uma outra faceta do bipolar e do bordeline: não conseguir "se soltar" do que criou ou se envolveu. Muitas vezes, tememos deixar para trás algo do qual fazemos parte, mas ao mesmo tempo já não temos a mesma energia para direcionar ao que está sendo realizado. Isso vale para a vida profissional e amorosa, quando entramos de cabeça em um novo trabalho ou num novo romance, mas quando passa a euforia não sabemos como sair, muitas vezes por medo de nos arrependermos. Aí, a grande pedida é sempre dar aos projetos existentes uma "nova cara", criar novos conceitos. Isso, pelo menos, garante mais um tempinho de "tesão".  
Você pode estar se perguntando: "Porque o Antonio Carlos está falando sobre isso agora"? Ora, apenas para mostrar que eu sou humano, e por isso também estou sujeito a desequilibrios, como transtornos ou distúrbios de ordem psiquicas (tinha que ser logo estes? rsrs). Também serve para dizer que, mesmo sumido de vez em quando, ainda estou vivo.
Há cerca de 23 anos, recebi o diagnóstico de que sofria do Transtorno Afetivo Bipolar - TAB (antigamente chamado de psicose maníaco depressiva). Até hoje bendigo o médico que descobriu este problema, pois graças a ele aprendi a controlar o meu humor e a enfrentar muitos sintomas que paralisavam minha vida. Seis anos depois, descobri que este distúrbio, na verdade, era apenas uma parte de um outro grande problema, o Transtorno de Personalidade Borderline - TPB, pois alguns fatores limitantes permaneceram muito fortes, mesmo após o inicio do tratamento (As limitações são parte de uma lista, que você tem acesso ao clicar no link do inicio deste artigo).
Nas últimas semanas, cometi algumas falhas. Deixei de aplicar técnicas que me mantém no "foco" e até pisei na bola com o único medicamento que não posso deixar de tomar. Isso é muito comum a quem vive esta realidade, já que para viver bem mesmo com ambos os transtornos é preciso disciplina (Imagine isso para uma pessoa cuja doença tem como consequência exatamente a indisciplina).
Para retomar o "rumo", procurei o meu médico e tratei de reagir à situação, com algumas das dicas que aprendi com a PNL. Uma delas foi, por incrível que pareça, "não fazer nada" por uns tempos. Escrevi um artigo sobre isso, anterior a esse, exatamente quando estava no auge dos sintomas, mostrando algumas coisas interessantes que acontecem durante a "crise". Uma delas é o excesso de idéias que não vão adiante. Não sei se é uma compensação pelo fato de sermos "problemáticos", mas é fato que nós, que sofremos destes transtornos, somos extremamente criativos, mas não conseguimos fazer a coisa acontecer. Eu, por exemplo, estou com um bocado de novidades "no ponto". Algumas foram iniciadas e não têm prosseguimento, outras estão no papel, e a maioria ainda está somente na minha cabeça!
Agora, sinto que estou voltando a ser dono destas idéias, e aos poucos estou ordenando-as, para publicação ou execução. Pra começar, resolvi escrever este texto, e também repassar uma breve explicação sobre os distúrbios, que talvez possam ajudar outras pessoas a identificá-los em si e, se quiser, procurar ajuda.
Não prometo que "a partir de agora serei mais pontual" com meus escritos, mas garanto a vocês que vou trabalhar bastante pra isso, ok? Mesmo porque, se não o fizer, corro risco de perder boa parte do amor-próprio que adquiri nos últimos anos.

"Minha querida alma, seja fonte de disciplina e coragem para seguir sempre em frente"

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A ARTE DE NÃO FAZER NADA

 Artigo publicado na edição 324 (04/08/2012) do Jornal de Poço Fundo


Já estava quase encerrando minhas matérias comuns de reportagem, quando fui solicitado a escrever para esta coluna algo relacionado ao meu trabalho com o Desenvolvimento Pessoal, a Programação Neurolinguística e a Linguagem Corporal. Infelizmente, por conta da Campanha Eleitoral, uma de nossas articulistas colaboradoras ficará por uns tempos sem poder nos enviar seus textos, e por isso resolvi atender ao pedido de nosso editor.
Então surgiu um probleminha típico de quem vive da escrita e que já tenha passado anteriormente várias horas diante do computador: Cadê a criatividade necessária para se fazer um bom artigo, que fosse útil, transformador e fácil de ser entendido?
Passei então a fazer minhas "pesquisas" para encontrar essa inspiração. Dei uma olhada em artigos que já havia publicado em meu blog, reli textos de grandes escritores do gênero, procurei dentre os materiais que dispunha de minhas palestras... mas nada surgia em minha mente.
Foi aí que me lembrei de uma frase que me chamou a atenção, dita numa programa sobre criatividade e trabalho da Rede Minas, há cerca de um mês: "Às vezes, o melhor que se pode fazer para resolver um problema é justamente não fazer nada". Não um "nada" de desistência, ou de resignação (do tipo: não vou conseguir mesmo, então...), mas um "nada" reparador, de descanso da mente.
Como não sou do tipo que deixa passar um momento de "insight", e já vinha seguindo as dicas passadas naquela matéria, tratei de seguir a idéia. Desliguei o computador e resolvi "dar um tempo", sem pensar muito no que poderia fazer ou escrever. Uma caminhada à toa, uma parada para observar a natureza, sem preocupação com fechamento da edição ou com o espaço que eu teria que utilizar (pra desespero da nossa diagramadora).
E não é que deu certo?
Quando liguei novamente o computador, minha cabeça já fervilhava de idéias, com temas como a linguagem corporal para combate à posturas depressivas, para melhoria na comunicação familiar ou no trabalho e muitos outros. Escrevi sobre vários tópicos, fiz pelo menos três textos e então me vi diante de outra questão: Qual publicar? A resposta me veio rapidamente. Resolvi falar sobre esse "fazer nada" que tanta gente teme, mas que pode trazer-lhe muitos benefícios.
Claro que todos nós sabemos o que é não fazer nada. É muito fácil estar deitado no sofá a ver o tempo passar, por exemplo. Porém, a maioria das pessoas está demasiada ocupada para se dar a este luxo e, quando tem a oportunidade para isso, não o sabe aproveitar. Continua a pensar no trabalho, na roupa que tem lavar ou passar, na discussão de ontem à noite com a esposa, o vizinho, o colega de trabalho. Além disso, para muitos esse é um ato contra-produtivo.
No entanto, saiba que "não fazer nada" é uma arte, que pode te ajudar a melhorar a própria produtividade, a autoestima e o índice de crescimento profissional. Ficar "à toa" ajuda a eliminar o stress, o grande vilão da atualidade.
Segue algumas das dicas que segui neste dia:
- Comece por baixo: Reserve 5 a 10 minutos diários para começar a praticar a arte de não fazer nada – de preferência no sossego da sua casa e não no escritório ou no centro comercial. Passado este tempo, volte às suas atividades normais.
- Preste atenção à sua respiração: Comece por inspirar muito devagar, depois expire lentamente. Siga atentamente o seu processo de respiração – a forma como entra no corpo através do nariz e desce para os pulmões, enchendo-os. Agora, sinta a maneira como a respiração deixa o seu corpo através da boca e a sensação incrível que é esvaziar os pulmões. Se conseguir, repita isto durante 5 a 10 minutos, praticando sempre que possível.
- Relaxe: Procure um local tranquilo e simplesmente recoste-se. Não se preocupe se de repente bater um soninho reparador. Sua mente sabe de suas responsabilidades, e não vai deixar você perder a hora.
- Saboreie: Uma boa forma de "não fazer nada" é sentar-se à uma mesa e ingerir alimentos leves, saudáveis e saborosos. Não estou falando de quilos de chocolate ou churrasco, mas uma fruta, um suco, um doce em pequenas proporções.
- Entre em contato com a natureza: Encontre um local sossegado. Pode ser o seu próprio jardim, um parque ou floresta, à beira mar ou junto do rio (os locais com água e longe dos ruídos da cidade são os melhores). Em comunhão com a natureza você pode praticar a arte de relaxar durante 20 minutos, uma hora ou ainda mais. As distrações são muito menores, o que vai permitir que se desligue completamente do seu stress. No entanto, vale a dica: Não deixe o cérebro “à solta”. Concentre-se na beleza, aprecie as folhas, as flores, a água, os animais, deixe-se maravilhar pela grandiosidade deste ambiente natural.
Depois de dominar todas estas possibilidades, enfim passe à prática no seu cotidiano. Que tal "não fazer nada" na fila do banco, na sala de espera do consultório (isso inclui deixar de ler as revistas deixadas para seu entretenimento ou andar pra lá e pra cá), ou enquanto aguarda a chegada de alguém para uma conversa importante? Uma boa dica é observar as pessoas e as conversas à sua volta, sem julgamentos, procurando compreendê-las, sem se envolver.
Treine diariamente, e não se preocupe em definir horários ou estratégias para essa nova forma de buscar energias. Você pode fazer a qualquer hora e em qualquer circunstância. Aí, é só aproveitar os resultados.
Quanto aos artigos que esta pequena parada me rendeu, deixo para as próximas edições. Com certeza, outros ainda melhores surgirão neste período. Aguarde e confira, mas com uma certeza: a de que "não vou fazer nada" para forçar essa inspiração.
Agora, é com você!

Uma dica extra deste blog:
Visite o site UM MINUTO DE NADISMO. Experimente fazer o exercicio proposto e aprenda a "não fazer nada" apenas por um minuto. Quem acessa (como eu) garante que o descanso proporcionado rende ótimos insights posteriormente. É só tirar a mão do mouse e "ficar de boa"...rsrsrs

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