sábado, 24 de abril de 2010

OS DEUSES ESTÃO NA MENTE

Lá estava eu, pronto para mais uma palestra, quando me aborda uma jovem já conhecida pelo seu espirto bem questionador. Ela me perguntou se o que ia dizer naquela noite poderia realmente fazer alguma diferença em termos de motivação em seu trabalho, pois caso contrário ela não iria participar.
Devo confessar que a principio fiquei paralisado pela sinceridade da garota, mas respondi imediatamente que sim, ela iria com certeza aprender formas de se motivar, isso se já não saísse do encontro totalmente mudada pela palestra.
No entanto, o tema da reunião não era, primordialmente, motivação, embora houvesse elementos do tema. Fiquei pensando, enquanto ela saia de perto de mim com um olhar desafiador, como iria fazer para dar a esta garota o que ela estava buscando.
Foi então que me veio o insight: Ela já tinha tudo que precisava para se motivar (era desafiadora, sabia o que queria, não tinha medo...). O problema é que ela acreditava que esta motivação devia vir de fora, de algo que ela veria ou ouviria, ou de alguém especial (e naquele momento ela esperava que eu fosse esta pessoa).
Confesso que fiquei aliviado, porque percebi que não precisaria fazer muito para que ela passasse a entender melhor como isso funcionava. Dei minha palestra tranquilamente, com vários temas sobre resolução de conflitos, mas dei uma certa ênfase nas caracteristicas de pessoas que lutavam pelo que desejavam, e como elas poderiam ser ainda melhores se confiassem mais em si e não dependessem tanto dos outros.
Ao final, a chamei e perguntei como foi o encontro para ela. "Nossa, professor, aprendi muitas coisas interessantes mesmo, mas sinto que falta algo. É como se ainda não estivesse totalmente convencida, entende?".
Então foi a minha vez de lhe lançar um desafio; "Eu garanto que em no máximo uma semana você terá provas e mais provas do que estou dizendo: a motivação está em sua mente. Mas isso ficará mais evidente se  me permitir contar uma história enquanto você relaxa. Posso?".
Ela topou na hora!
Então a conduzi a um relaxamento brando e lhe contei esta metáfora:

"Um famoso general mongol havia conquistado com as suas tropas uma extensa região da Ásia Central. Seus soldados estavam agora exaustos e saudosos do lar, mas o general desejava prosseguir e capturar a grande cidade de Samarkhan, defendida por um exército cinco vezes maior do que o seu. Ele tinha certeza de que poderiam vencer, mas seus homens estavam relutantes.
O general convocou-os então e juntos erigiram um altar, no qual rezaram pedindo inspiração aos deuses. No final da cerimônia, o general tomou uma grande moeda de ouro e disse que iria lançá-la ao ar para ver o que os deuses determinariam. Se caísse com a cara para cima, seria sinal de que os soldados obteriam uma vitória estrondosa.
A moeda caiu com a cara para cima e, inspirados pelos deuses, os soldados avançaram e conquistaram com facilidade a cidade.
Após a batalha, um dos soldados comentou com o general:
- Quando nos mostram que os deuses estão conosco, nada pode alterar nosso destino!
O general concordou com uma risada e mostrou ao soldado a moeda: Ela tinha cara em ambas as faces".

Assim sendo, terminamos a sessão e nos despedimos. Ela não comentou a história.
Quatro dias depois a encontrei novamente, sorrindo em seu trabalho. Ela havia entendido muito bem, ainda que inconscientemente, a mensagem da metáfora, e agora confiava em suas próprias âncoras para se motivar.
E você, se motiva com o que?

"Minha querida alma, seja fonte de confiança. Minha querida alma, seja fonte de motivação e coragem".

Um comentário:

  1. Que delicia esta história. Me deu uma luz muito interessante...

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