sábado, 1 de agosto de 2015

QUE VENHA A DOR!

Eu sei, você sabe, qualquer pessoa sabe, mesmo que não admita ou pense não saber: Ninguém quer viver uma vida limitada!
Só que viver ilimitadamente requer a coragem de encarar algo que, em geral, nos faz fugir. A dor, o medo, a ansiedade...
Queremos emagrecer, mas não topamos muito a idéia de disciplinar nossa alimentação, exercícios físicos, as guloseimas. Queremos ficar musculosos e fortes mas "esse negócio de academia todo dia é dose pra leão". Queremos ter saúde, mas abrir mão de prazeres que nos são trazidos por coisas que na verdade são nocivas é "pedir pra sofrer".
E então, nós, que não queremos ser limitados, ficamos assim, naquela de "nem vai, nem volta".
Porém, todos os seres vivos, humano, irracionais, insetos, não importa, possuem algo em seu interior que os impele a ir para frente, a buscar o melhor, a viver. Essa força, esse poder que nos movimenta, tem muitos nomes, alguns de fácil entendimento, outros um pouco esquisitos: "Poder Interior", "Força Propulsora", "Energia de Deus", "Sede de Crescimento"... No sul de Minas Gerais, o povão dá a isso simplesmente o nome de "Ardência". Em São Paulo e no Rio, "Sangue nos Olhos". E por aí vai... O nome é o que menos importa na verdade, mas o que isso produz, sim.
Fato é que é esse poder, essa energia, que nos impele a sempre buscar o melhor, a sempre crescer, a não desejar ficar parado fazendo o mesmo do mesmo. Se deixarmos a força contrária, o Comodismo, tomar conta e nos prender no "lugar-comum", na "zona de conforto", podemos até nos sentir bem por evitar mudanças que nos trarão certas angústias, mas também estaremos gerando uma sensação de que falta algo, de que não estamos completos.
A dureza é que ao nos entregarmos a isso, acabamos também impedindo o crescimento de quase tudo que nos cerca. Mesmo porque somos seres holísticos, e nossas atitudes interferem diretamente no desenvolvimento do sistema em que vivemos. Quer um exemplo bem simples? Pense se você tem um negócio, com empregados ou colaboradores que são dinâmicos, que gostam de buscar novos horizontes, que pensam sempre à frente (e por isso você os contratou), mas que ficam presos em suas idéias simplesmente porque você "prefere agir com os pés no chão" (na verdade, prendê-los numa placa de concreto)? Sem falar nos vários outros setores de sua vida (e de outras pessoas) que não terão avanços apenas porque você, uma peça importante de toda essa engranagem, resolveu "travar".
Existe uma forma de acabar com isso? Claro que existe.  E ela consiste em fazer o caminho totalmente contrário ao que costumamos seguir.




DESEJAR A DOR

Quando falamos em abrir novos caminhos, criar espaço, crescer, se reinventar, uma palavra nos vem logo à mente: A dor!
Usamos este termo para designar qualquer incômodo proveniente do desejo de mudança. A ansiedade, a angústia, o medo, a dor física, a dor psicológica para se adaptar a uma nova realidade... E não há dúvida que quando se fala em dor, a tendência de qualquer ser humano ou animal é lutar ou fugir. Acredite: fugir, quase sempre, é a alternativa escolhida. Lutamos, geralmente, só quando não temos outra opção senão o enfrentamento, quando não há mais nenhuma outra alternativa.
Realmente, temos a dor como algo a ser evitado, como algo ruim... Como é mal interpretada a pobrezinha! Ela é nossa amiga!
Se você não sente dor, não sabe se tem algum problema. Quando ela pára, é porque o problema foi resolvido. Ela nos avisa de que algo ainda precisa ser terminado a contento, de que está faltando elementos que possam te trazer bem estar. No corpo, ela avisa de uma fratura, de um corte não curado, de uma inflamação. Nos fazem ir em busca de ajuda, de remédios, de cura! Pense nas pessoas que tem hanseníase: por não sentirem dor nos pontos afetados, não percebem, por exemplo, que estão se queimando, e sofrem lesões gravíssimas.
É por isso que, antes de "enfrentar" a dor, uma característica das pessoas de sucesso e que podemos aprender a desenvolver é o de "desejar" a dor.
Já tem gente ficando preocupada ai, mas, calma! Não estou falando em desenvolver um prazer pela dor. Não estou pedindo para ninguém se tornar um masoquista de carteirinha. Estou dizendo, sim, que podemos desejar a dor que leva ao crescimento, à mudança, a transformações positivas.

DOR E SUCESSO

Já parou pra pensar nas coisas que gostamos e que para tê-las ou senti-las precisamos enfrentar um certo grau de dificuldade? Uma casa limpa (se você não tem empregada) depende de algumas horas de esforço, mas o cheirinho da limpeza compensa tudo. Ficar na frente do palco de nosso artista preferido requer perder horas diante do local do show, enfrentar fila, empurra-empurra...
Num grau um pouco diferente, pense nas pessoas que hoje são reconhecidas em diversas áreas profissionais. Um fotógrafo que quer conseguir boas fotos da lua ou das estrelas encara horas de frio, sono, escuridão em locais ermos e às vezes perigosos... Um repórter da área policial enfrenta o medo diversas vezes para levar aquele "furo" para seu órgão de informação (acredite, eu tenho). Um cantor que hoje é famoso encarou a estrada dormindo em ônibus, ouvindo vaias, indo aos rincões mais profundos do país, passando fome, enfrentando públicos hostis... Um pintor que resolve investir na própria carreira pode passar anos na maior pindaíba até criar uma obra que de repente "estoure".... Quantas vezes o montanhista arriscou a vida apenas pelo prazer de chegar ao ponto mais alto de um pico?
O melhor atacante faz questão de encarar os zagueiros mais fortes, mesmo sabendo que vai levar pancada, e só chegou ao topo porque treinou esse enfrentamento com os zagueiros do seu time. O melhor lutador sabe que vai sangrar, e já apanhou muito na preparação para as suas lutas. O fisiculturista mais bem delineado chega a gritar quando levanta os pesos cada vez maiores (desde que não seja daqueles que preferem uma injeçãozinha e depois sofrer terrivelmente com vários problemas de saúde). O escritor mais badalado passa dias e meses na solidão, criando, sonhando...
Estas pessoas não estão encarando a dor por sentirem prazer nela, mas pelo prazer que sentirão DEPOIS dela. Ela se torna desejável, exatamente porque se sabe que não há outra forma de chegar onde se quer chegar, e se houvesse, todo mundo chegaria e ninguém seria diferenciado.




INVERSÃO

Ao invés de procurar, de desejar a dor como forma de saber que estamos no caminho certo, em geral fazemos o contrário. Buscamos o prazer, mesmo sabendo que depois teremos que encarar a dor proveniente deste.
O que falar das pessoas que não resistem a uma boa bebida, e depois passa a semana reclamando do estômago, da cabeça, do mal estar? Ou de quem não resiste a um bom bolo de chocolate, para depois se sentir culpado porque "nunca consegue emagrecer"? Ou dos que respondem de forma violenta a provocações, "descarregam sua raiva" (sim, isso dá prazer), para depois se sentir um animal acuado, preso pelo arrependimento, pagando as consequêncis negativas ou caçado pela policia?
As pessoas fazem o que desejam, para fugir da dor, e depois pagam com uma dor ainda maior e mais demorada (como quem tem medo da agulhada da anestesia do dentista, e por conta disso aguenta o sofrimento de um dente inflamado por meses)...
O que proponho aqui é que façamos o caminho oposto: que ao invés de fugir da dor, peçamos que ela venha, para chegar onde queremos. Não a gratificação imediata, mas o prêmio por um esforço que valha a pena. Se analisarmos bem, prazeres imediatos nos cobram preços altíssimos. Dores imediatas nos dão recompensas valiosas.

UMA BOA FERRAMENTA

Phil Stutz e Barry Mitchels, autores do livro "O método" (Editora Fontanar), apresentam uma técnica interessante (que eles chamam de ferramenta) para quem precisa aprender a aceitar e até querer a dor como elemento comprobatório de que vale a pena alcançar um determinado objetivo. O nome é bem sugestivo: A Inversão do Desejo.
Consiste exatamente em "desejar a dor", e não "desejar fugir da dor", quando o que se quer está do "outro lado" dela. Começa com visualizações diárias do que se deseja, e dos obstáculos que se terá que enfrentar, literalmente "pedindo" para que eles venham. Estas dificuldades se transformam em energia propulsora para o sucesso.
Esteja onde você estiver, pare um pouquinho depois de ler como funciona, e experimente! Só é preciso dar o primeiro passo para que o resto aconteça naturalmente...

QUE VENHA A DOR

-  Imagine que uma situação ou sensação que você deseja está bem à sua frente, a uma distância curta. Não importa o que seja (a alegria por um aumento de salário, lucros com um novo negócio, um emprego novo, o amor da mulher da sua vida, a leveza após pedir perdão a alguém que você ama mas aprontou algo sério, olhar-se no espelho e perceber que seu corpo está do jeito que você queria...)... O seu objetivo está ali, bem delineado com alguma cena que você vê, ouve e sente...
- Agora veja uma nuvem surgindo entre você e seu objetivo (pode ser uma nuvem, uma placa, um parede...). Nela estão todos os obstáculos que você terá que enfrentar. Sensações físicas, psicológicas, dor, medo, ansiedade, angustia... O patrão pode te olhar de um jeito que você não goste. Novos clientes podem te dar um não. A pessoa que você magoou pode te maltratar, não querer te perdoar... Mas você sabe que depois que passar por esse obstáculo vai se sentir bem, feliz, que chegou ao seu objetivo, que pode olhar para trás e dizer: eu venci!

EU AMO A DOR

- Caminhe em direção à nuvem, gritando em sua mente: EU AMO A DOR! Entre na nuvem, force mesmo a passagem em sua visualização. Sinta o frio, o aperto, mas ao mesmo tempo perceba: Ela está te movendo para o outro lado!

A DOR ME LIBERTA

- Agora imagine que todas estas sensações são como energia que vai tomando conta do seu entorno, e  fazendo com que você seja literalmente "cuspido" pela nuvem para o outro lado! Sinta o alivio de ter saído do aperto, a alegria de ter passado pelo túnel e chegado até onde queria! Veja-se em um ambiente de pura luz e curta a gostosa sensação que isso lhe dá.

Os primeiros passos são feitos com a sua vontade. Mas o final, é a energia gerada que te faz ir à frente, o poder interior da Força Propulsora que te movimenta.
A dica: Pense no que de pior pode acontecer em sua visualização. Costumo dizer que quando a gente se prepara para o pior, fazemos o melhor em situações que nem são tão graves. Se no seu treino mental você consegue dominar o pior (o publico te vaia, o patrão resolve te demitir, o seu produto recebe criticas fortes), no enfrentamento real as coisas não serão mais assustadoras pra você.
Repita estes passos várias vezes, até fazê-lo de forma rápida, transformando toda a dor em energia para ir frente. Quando se sentir assim, totalmente energizado, está pronto!
Pra não esquecer de cada passo, lembre-se das frases título de cada uma: Que venha a dor! Eu amo a dor! A dor me liberta!

Que tal começar agora? Boa jornada!

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